A Lancha

 

A construção:

Foi mandada construir em 1936, pelo Sr. José Cristiano, ao então construtor naval Manuel José da Silveira, mais conhecido por Mestre Janeiro, em S. Roque do Pico, no sítio da Furna. 

Mede 12m de comprimento, boca 2.60m e pontal 1.27m. A tonelagem de arqueação bruta é de 6.7723 TM, o seu primeiro motor foi um Gray de 160 H.P. e atingia a velocidade de aproximadamente 14 nós e o seu último motor foi um GM Diesel de 205 H.P..

 

O Nome:

Quanto ao nome, o Sr. José Cristiano, utilizou o nome da sua primeira filha, ficando assim a lancha a denominar-se: "Maria Manuela".

 

A Faina:

Depois da sua construção foi matriculada na Capitania da Horta, com a matrícula H-1-B (primeira lancha a ser registada neste porto com tal).

Por volta de 1950 foi registrada no porto de Velas, com matricula VE-78-B, onde exerceu a sua actividade durante muitos anos.

E finalmente teve a sua matrícula na Delegação Marítima das Lajes do Pico: LP-75-B.

Para além do porto de Velas, prestou apoio aos botes afectos ao porto do Comprido, ao da Calheta de Nesquim e finalmente no Porto Pim, onde acaba a sua actividade com o Mestre António José “Faidoca”.

 

Lancha "Maria Manuela" nos anos 50: Porto de Pipas, Terceira

 

Lancha "Maria Manuela" a ser varada: São Roque do Pico

 

Lancha "Maria Manuela" já varada: Horta

 

O Declínio:

A meados da década de oitenta a caça à baleia chegou ao seu fim. Por um lado fruto dos acordos internacionais a que Portugal aderiu e por outro, por falta de mercado para colocação dos óleos da baleia.

Assim os industriais que exploravam esta actividade, deixaram de investir nos equipamentos afectos á mesma. Começou a degradação das fábricas por falta de matéria prima para laborarem e as lanchas e botes deixaram de ir ao mar. Esse facto aliado á idade e falta de conservação levou esses bens a o estado de degradação que se pode observar nas fotos seguintes. Outros acabaram mesmos por desaparecer, como foi o caso da maioria das lanchas baleeiras.

 

Lancha em degradação, Setembro de 1995

 

Restos da lancha "Maria Manuela", Abril de 2001: Santo Amaro do Pico

 

Lancha "Maria Manuela" e "Espartel", Julho de 2001. 

 

A Reconstrução:

No cumprimento dos objectivos do projecto "Rota dos Baleeiros", iniciámos em Julho de 2001, o restauro da lancha: "Maria Manuela".

Os trabalhos iniciaram-se nos estaleiros navais de Santo Amaro do Pico, sobre a orientação do construtor naval: Norberto Silva Melo.

O plano geométrico que serviu de base ao restauro foi retirado do que ainda restava da lancha "Maria Manuela"(figura acima indicada), isto no que respeita ao casco. Quanto ao convés, casa e poço, o restauro está baseado em fotografias da época da sua construção. As cores originais também serão mantidas, graças á informação de baleeiros da altura do seu lançamento à água.   

 

 

 

 

 

 

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